segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Da Materialidade Própria da Película



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Falemos agora nessa questão da película. Cada vez mais em Portugal, por questões financeiras, opta-se pelo digital, mas o seu filme, mesmo apesar da sua duração de 3 horas, não foi por essa via.

Até filmámos mais do que isso porque estamos a lidar com atores não-profissionais e é um processo mais demorado. Para mim a película é muito importante, é uma materialidade totalmente diferente. Não tem a ver só com a metodologia e das diferenças que acarreta face ao digital, mas também com a materialidade própria. Não é o mesmo pintar em óleo ou em aguarela. Há uma materialidade no cinema e ela, na minha opinião, faz parte do objeto, da escolha estética.

Desconsidera totalmente filmar em digital?

Não, cada vez se torna mais difícil filmar em película, já nem há laboratórios cá e eu acho que o digital está a evoluir, cada vez mais próximo da película, apesar de não ser totalmente igual. Em França entrei numa sala de cinema e projetaram um filme da Claire Denis em 35 mm. Aquilo é um prazer que já não estamos habituados sequer a ter, apesar de ser belíssima a projeção. O olhar das pessoas que estão a ser formadas e mesmo o meu estão a ficar habituados a uma outra materialidade.
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[Fonte: C7nema].
[Imagem: Terratreme Filmes].
[Agradecimento: Hugo Gomes.]


domingo, 17 de setembro de 2017

Nunca se Escreveu Tanto Sobre a Película — Parte 3



Os pormenores de conservação de clássicos da Paramount, a (re)descoberta da película — tanto em nitrato como celulose — e a permanente oposição analógico/digital. Os debates prosseguem.

"THE GODFATHER. BREAKFAST AT TIFFANY'S. TO CATCH A THIEF. These are just a few of the cinematic gems by Paramount Pictures that will be preserved in a state-of-the-art vault, which opens on Wednesday. Constructed by Pro-Tek Vaults, it will house approximately 500,000 reels of film that Paramount has produced since the 1950s and store it at 29 degrees Fahrenheit, freezing the film to stop almost all image deterioration."
Hayley C. Cuccinello, in Freeze-Frame: Paramount To Open The First Frozen Commercial Vault In The U.S., Forbes.

"With a moving film print, every film has a different make-up of grains. It looks like every image is moving within itself because of the grain whereas the digital version is very flat. There is nothing happening beyond the hard lines of the object you’re looking at."
Geoffrey Macnab, in Film vs. Digital? In the same way that a new generation of music lovers are re-discovering vinyl, cinema enthusiasts are discovering, or re-discovering celluloid, Independent.

"It's also just the nature of how film is seen on screen: its image clarity, its colour palette, the sound is just something that's very different to digital, and I think that's something that's very worth saving."
Paul Vickery, citado por Daniel Curtis, in Can celluloid lovers like Christopher Nolan stop a digital-only future for film?, NewStatesman.

""You don't want Oz to look real. You want it to be in Technicolor."
Richard Trenholm, in A century ago, the first Technicolor film was a total disaster, CNET.

"For its pictorial quality elements, its clarity, its contrast, nitrate was the best. Many people say you have not seen the classic film noir titles unless you have seen them on nitrate."
Jeff Smith, citado por David Tenenbaum, in Fire in a crowded theater? Nitrate film is crumbling as experts strive to salvage the past, University of Wisconsin-Madison.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Film Comment — September/October 2017 issue



"We live in a fragile world: its state is fragile, and we ourselves are even more fragile."

[Fonte e imagem: Film Comment magazine].

domingo, 3 de setembro de 2017

Veneza 2017: O Restauro de ENCONTROS IMEDIATOS DO 3º GRAU



Apresentação do restauro de ENCONTROS IMEDIATOS DO 3º GRAU, de Steven Spielberg, na secção Venice Classics do Festival de Veneza.

Filme restaurado pela Sony Pictures, sob a supervisão de Grover Crisp. Este artigo do Hollywood Reporter, publicado recentemente, detalha as fontes e o método do restauro.



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Preservação Histórica Em Cinema: Ken Burns e THE SHAKERS



Permita-me o leitor, desde o visitante assíduo das actualizações de imprevisível regularidade do presente blog ou a quem aqui tenha chegado por acasos de navegação, a perturbação à "norma interna" deste espaço, para continuar a discorrer sobre a importância da Preservação Histórica, mas em Cinema e não só a do Cinema — ou o predicado que se poderia definir como a salvaguarda, através do registo por imagens em movimento, de vivências em iminente risco de desaparecimento da memória humana contemporânea e futura.

Nesse âmbito, importa sublinhar THE SHAKERS: HANDS TO WORK, HEARTS TO GOD (1984), documentário conciso mas profuso de Ken Burns, dedicado à história e concretizações da Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo, também designados por Shakers, como objecto exemplar na análise desta comunidade religiosa composta, à época de produção do filme, por 17 praticantes activos (hoje, "recenseia-se" apenas dois elementos) e distinta, desde o Século XVIII, numa série de campos que marcou, de forma quase invisível, a cultura intrínseca dos Estados Unidos.

É em torno deste património que Ken Burns explana o seu aclamado estilo, numa rigorosa análise fílmica da particular e quase utópica filosofia cativada pelos Shakers: da arquitectura à decoração de interiores, dos hinos às composições de dança (tudo devidamente ensaiado perante a câmara), às metodologias aplicadas na agricultura e manufacturação de bens, do celibato comunitário à adopção de crianças como via para a perpetuação transgeracional, THE SHAKERS revela-se, assim, como importante testemunho audiovisual de uma congregação que se tornou, no seio da voraz aceleração da vida humana ao longo do Século XX, anacrónica e sujeita à ameaça de desaparecer com os seus dois últimos representantes.



Graças a Ken Burns, e enquanto existir a motivação e os meios, independentemente do seu formato, para a reprodução da imagem em movimento, a memória colectiva dos Shakers encontrará garantias de Preservação Histórica.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Curta-metragem: THE PROJECTIONIST



Realizado há cerca de um ano por Christopher Newman, no âmbito de uma série de curtas-metragens dedicada a "vivências profissionais em risco no mundo actual", THE PROJECTIONIST destaca o espírito saudosista de Greg King, chefe de cabine do Paramount Theatre, sobre as sensibilidade de um labor cada vez mais raro.

"Everything is done by touch, waiting for timing, waiting for a cue, throwing a lever, until the film is over."



[Fonte: Vimeo].

terça-feira, 15 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A História do Restauro de THE GRIM GAME



As circunstâncias de como uma cópia intacta de THE GRIM GAME, longa-metragem de 1919 considerada perdida durante décadas e um dos mais importantes registos cinematográficos do lendário Harry Houdini, chegou às mãos do restaurador Rick Schmidlin são invocadas, em tom vívido e muito didáctico, neste artigo assinado por Will Stephenson para a The Paris Review.

Do fascínio de Houdini pela Sétima Arte ("I think the film profession is the greatest, and that the moving picture is the most wonderful thing in the world") até ao primeiro encontro de Schmidlin com Larry Weeks, um ilusionista reformado que guardou, na sua casa de Brooklyn, a única cópia de THE GRIM GAME de que se conhece o paradeiro, Will Stephenson esboça um dos textos mais absortos e completos que este espaço pôde ler, nos últimos tempos, sobre preservação e restauro de Cinema.

"Most every project I’ve worked on was exciting in some way. But how often do you find an important, lost, or even just rumored film, in a fifth-floor apartment owned by a ninety-five-year-old juggler? A hundred percent intact? To be able to go up there on a rainy day in Brooklyn and find this film, which most people doubted existed at all? That experience alone was one of the most exciting I’ve ever had.", Rick Schmidlin.

[Fonte e imagem: The Paris Review].

domingo, 6 de agosto de 2017

Blockbuster em Película #9



BABY DRIVER, de Edgar Wright, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 250D 7207).

"Walter Hill made a movie called The Driver that Edgar really admires, and Edgar's a fan of hard gangster and crime movies, particularly of the 1960s and ‘70s. Our film is a visual and thematic rejection of the current spate of car movies that are so heavily CG'd and fantastical. We want the audience to be in those cars with the actors actually driving them, and all our actors can drive like crazy.", Bill Pope, director de fotografia do filme.

[Fonte e imagem: Panavision].