quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Estreia da Semana: CALL ME BY YOUR NAME



CALL ME BY YOUR NAME, de Luca Guadagnino, rodado em película de 35mm (Kodak).

«They say [digital] it’s faster and you need less light, that you just turn the camera on and shoot with a memory card, you don’t have the limitation of the reel... that’s a misunderstanding of what it means to shoot a movie. I think the limitation of the reel is what makes the tension of the performance come off the screen... [Shooting on digital] is about control, about making everything look the same. Cinema doesn’t surrender to sameness.»
Luca Guadagnino, para a IndieWire.

[Imagem: MovieMaker].

sábado, 13 de janeiro de 2018

Filmes Perdidos — Uma Introdução ao Caso Português



De todos os temas que constituem matéria de estudo da Sétima Arte, o considerado Filme Perdido — isto é, uma obra cinematográfica, de curta ou longa duração, cujo paradeiro físico não é conhecido em qualquer arquivo fílmico, colecção privada ou acervo público — continua a ser de problemática explicação. Entre as entidades e os profissionais do ramo, a perda da banda sonora de um filme ou títulos com metragem incompleta são motivos suficientes para essa "catalogação". E quando as certezas existem, nem sempre são portadoras dos melhores cenários: por exemplo, é dado adquirido que 75% do cinema mudo norte-americano encontra-se irremediavelmente desaparecido1.

Na sua definição genérica2, passando pela recolha de elementos (imagens de produção, guiões, referências em imprensa escrita) e até à reconstituição precisa dos motivos que determinam um estatuto de Filme Perdido, a metodologia em torno deste objecto cinematográfico é, também, muito específica. Resumidamente, implica traçar o percurso de um título desde a sua estreia comercial, a averiguação dos locais por onde uma ou mais cópias viajaram, quem eram os proprietários dessas salas de exibição e que tipo de património — sobretudo, fílmico — foi legado aos seus descendentes e, por fim, que repositório foi assegurado para esses mesmos materiais. Paralelamente, a composição de uma alargada e variada lista de contactos, em arquivos e/ou cinematecas de todo o mundo, pode ser uma prática útil.



Neste âmbito, o "caso português" não está isento das mesmas particularidades que afectam as cinematografias de outras regiões3. Numa análise mais profunda, o problema dos filmes portugueses perdidos assenta em dois eixos primordiais: 1) com sumárias excepções4, verifica-se a ausência de quaisquer informações, compilações ou estudos inteiramente dedicados a este assunto; e consequentemente, 2) esta escassez impacta o próprio conhecimento da História do Cinema Português. Todavia, permanecem algumas inscrições históricas que explicam, por exemplo, a considerável quantidade de filmes portugueses perdidos do período do mudo (Manuel Félix Ribeiro mencionou, como principal causa, a venda de inúmeras bobines às potências da Segunda Guerra Mundial, para posterior extracção da prata incluída na emulsão da película5).

A partir das poucas fontes existentes que se aproximaram desta temática, a identificação e essência de cerca de meia centena de filmes portugueses perdidos é sintomática dos pontos fulcrais acima detalhados. Dessa "lista", constam obras realizadas por nomes como Ernesto de Albuquerque, Georges Pallu, Roger Lion, Rino Lupo, Reinaldo Ferreira, António Lopes Ribeiro, Chianca de Garcia e, até, Manoel de Oliveira. Ademais, da obra de Aurélio da Paz dos Reis (considerado o pioneiro do Cinema em Portugal, com A SAÍDA DO PESSOAL OPERÁRIO DA FÁBRICA CONFIANÇA, rodado em 1896) pouco restou até aos nossos dias, impossibilitando assim a composição exacta do seu percurso artístico. Ou seja, um conjunto de filmes que, sem dúvidas, e através de uma atenta consulta à parca informação disponível sobre os mesmos, permitirá relançar e esmiuçar novas leituras historiográficas sobre a nossa Sétima Arte.



Não sendo, a priori, publicamente perceptível o montante de esforço e recursos de que a Cinemateca Portuguesa se dotou para o estudo e pesquisa desta "filmografia perdida"6, também não nos faltam razões para acreditar que nem tudo está irremediavelmente desaparecido. Basta recordar o caso de OS FAROLEIROS (1922, Maurice Mariaud), do qual se desconheceu o seu paradeiro até à redescoberta de materiais integrais do filme em 1993, armazenados no Palácio do Bolhão, no Porto7.

Mesmo que, infelizmente, certos filmes não estejam ao nosso dispor para visualização, a noção da sua existência já é passo fundamental para uma compreensão mais exacta e acabada da cinematografia portuguesa. É com esse espírito de missão que o presente artigo serve de introdução a um dossier, a publicar no O Síndroma do Vinagre no decurso das próximas semanas, dedicado a filmes portugueses perdidos de relevo — uma "viagem" de (re)descoberta cinéfila à qual o parecer de leigos, historiadores e académicos será imensamente bem-vinda.

Notas:
1 A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos mantém um registo com mais de 7000 filmes mudos considerados perdidos.
2 A Fédération Internationale des Archives du Film (FIAF) ou sites de referência, como o Lost Films, não escondem as suas reticências em apresentar um conceito estanque para Filme Perdido.
3 Por exemplo, à semelhança do que foi aferido nos Estados Unidos, e conforme os registos disponíveis, uma porção substancial da produção nacional, anterior ao advento do sonoro, também está classificada como perdida.
4 Obras como O Cais do Olhar, de José de Matos-Cruz (1999, Cinemateca Portuguesa), ou Dicionário do Cinema Português 1895-1961, de Jorge Leitão Ramos (2011, Editorial Caminho), fornecem breves detalhes sobre os títulos dos quais se desconhece o paradeiro de qualquer material fílmico.
5 Ver Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896-1949 (1983, Cinemateca Portuguesa).
6 O documento que explana as opções estratégicas e projectos de actividade da Cinemateca Portuguesa, divulgado em 2014, é omisso nesse item.
7 De realçar que a Cinemateca Portuguesa irá exibir este filme no próximo dia 23 de Janeiro, às 19h, na Sala M. Félix Ribeiro.

Imagens:
1 Fotograma de RAINHA DEPOIS DE MORTA, INÊS DE CASTRO (1910, Carlos Santos), considerado o primeiro filme português de reconstituição histórica, e do qual não é possível localizar materiais fílmicos.
2 Fotograma de A SEREIA DE PEDRA (1922, Roger Lion). Desconhece-se o paradeiro de qualquer material fílmico deste título.
3 Fotograma de OS FAROLEIROS.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Stan Laurel Redescoberto



O Frisian Film Archive anunciou ontem a redescoberta de diversos fragmentos pertencentes a DETAINED, curta-metragem protagonizada por Stan Laurel, e considerados perdidos desde a década de 1970.

A descoberta foi feita pelo arquivista Jurjen Enzing que, ao reconhecer Stan Laurel nos fotogramas de uma bobine de nitrato, confirmou tratar-se de um projecto a solo, datado de 1924, do famoso actor cómico. Entre as sequências redescobertas, destaca-se um breve momento no qual Laurel escapa, de forma quase absurda, a uma pena de morte por enforcamento.

O site oficial do Frisian Film Archive disponibiliza a (agora) versão completa de DETAINED para visualização, assim como um vídeo que salienta as cenas redescobertas:





[Fontes: Frisian Film Archive e DutchNews.]
[Imagem: Lord Heath.]


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Logotipos de Valor — Nos 80 Anos da FIAF



«As our Federation turns 80 this year (on 17 June to be precise), a special 80th-anniversary logo has been conceived and will be used in replacement of the regular one throughout this year on the FIAF website and other publicity materials.»

[Fonte: Fédération Internationale des Archives du Film (FIAF)].

domingo, 7 de janeiro de 2018

Nunca se Escreveu Tanto Sobre a Película — Parte 4



Nos últimos meses, a atenção mediática, em torno de formatos analógicos na Sétima Arte, discursou sobre os profissionais que continuam a eleger a película como principal suporte de trabalho, os méritos e peculiaridades das projecções em 70mm (com PHANTOM THREAD em destaque), novas perspectivas sobre restauro de Cinema Mudo e o elogio aos projeccionistas de película.

"IndieWire spoke to the 10 cinematographers about the visual impact of shooting on Kodak film."
Bill Desowitz, in 10 Cinematography Masters Who Love Celluloid, from 'Dunkirk' to 'Wonder Woman', IndieWire.

"For now, 70mm is easing its way back into the mainstream, but thanks to the dedication of organizations life TIFF, hopefully the resurrection of the medium is pushed a little further into the light."
Andrew Parker, in TIFF showcases the rarity and resurgence of 70mm film, The Gate.

"I think there's a real renaissance to what film is. It’s another tool that we have that we shouldn’t give up. It's another paintbrush. Why should we be limited to one tool?"
Ed Lachman, citado por Carolyn Giardina, in From 'Dunkirk' to 'The Post,' Some Key Oscar Contenders Relied on Film, The Hollywood Reporter.

"Shot in 35mm, it was Anderson’s original intention to shoot the film so that he got a particularly fine grain image that he could easily blow up to 70mm."
Chris O'Falt, in Why the ‘Phantom Thread’ 70mm Screenings Are a Unique Experiment That Could Look Significantly Different, IndieWire.

"We really wanted to close the loop with silent film preservation and restoration(...) We were, in a sense, giving back, and giving these films back to the world."
Mick LaSalle, in Silent Film Fest expands into preservation, San Francisco Chronicle.

"La disparition des projectionnistes n’a pas fait de bruit. Silencieux et discrets, jusqu’au bout."
Valère Gogniat, in La mort silencieuse des projectionnistes, Le Temps.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Resolução para 2018: Mais Físico, Menos Digital



"There is no political power without control of the archive, if not of memory. Effective democratization can always by measured by this essential criterion: the participation in and the access to the archive, its constitution, and its interpretation."
Jacques Derrida, in Archive Fever: A Freudian Impression.

O novo ano civil vai no seu início. No que ao Síndroma do Vinagre diz respeito, os balanços de 2017 já foram realizados, e estes últimos doze meses não proporcionaram novidades de monta em torno dos coloquiais dilemas daquilo que o digital é capaz de, garantidamente, armazenar e conservar1.

Embora o propósito deste sítio seja, primeiramente, a discussão da Sétima Arte nas suas vertentes de preservação e restauro, permitam-me uma rara digressão a este posicionamento para temas mormente "quotidianos". A saber, a contemporânea era digital dos meios de informação humana, e respectivas implicações para o nosso presente e futuro.

Sem hesitações, há que afirmar que o panorama é inquietante e, ao contrário do que alguns autores afirmam, nada fulgurante. Os obstáculos derivam manifestamente dos principais métodos de comunicação (leia-se, correio electrónico e redes sociais) actualmente ao nosso dispor. E todos os dias, na forma como lidamos, guardamos e consultamos a informação através destas plataformas, não faltam exemplos para consubstanciar este parecer.



Os mecanismos de facilidade e acessibilidade do e-mail, que rapidamente suplantaram a carta, o fax ou o telegrama como meio de comunicação privilegiado pela Humanidade, são particularmente susceptíveis à repressão dos seus conteúdos2 (embora exista metodologia específica para a recuperação de mensagens); qualquer ficheiro digital é, em comparação com suportes analógicos, muito mais susceptível a ameaças humanas (vírus informáticos, pirataria, manipulação, furto...) ou a corruptibilidade da sua informação original; os automatismos informáticos, que regem as definições de publicação, cronologia e privacidade, da rede social mais popular do mundo podem revelar-se um pesadelo de pesquisa e acesso a informação; plataformas de captura de imagens em movimento, tais como o Snapchat ou o Facebook Video, produzem diariamente milhões de registos de limitada longevidade por defeito e/ou sem valências de arquivo das mesmas; as interacções por SMS ou no WhatsApp não primam pela durabilidade; e, há poucos dias, a Biblioteca do Congresso norte-americano anunciou que, desde 1 de Janeiro de 2018, deixará de armazenar todas as publicações partilhadas no Twitter, passando a fazê-lo unicamente numa aparente "base selectiva".

Esta realidade é, no limite, sintomática de que a percepção, enunciada em 19973, de um futuro imerso numa digital dark age — ou "época do esquecimento", tal como sugerido por Umberto Eco — assume estatuto de cenário realmente a equacionar.

Em conformidade com este raciocínio, é tentador divagar pela formulação de um exemplo simultaneamente cândido e provável. Imaginemos um estudante de Medicina, que dentro de vinte ou trinta anos será responsável pela descoberta da cura ou de um tratamento revolucionário para o cancro. Este mesmo jovem, à semelhança da esmagadora maioria dos seus contemporâneos, comunica sentimentos, motivações, modos de vida e paixões via SMS, e-mails, redes sociais, serviços de mensagens instantâneas, e com hábito escasso de registar, seja o que for, em suportes físicos (os "diários pessoais" definitivamente aparentam ser algo do passado, o recurso aos computadores portáteis e tablets é prática comum nas faculdades, e o Kindle ainda está longe de suprimir a cultura do livro em papel).



Neste futuro (presente?) intensamente digital, e face às incoerências supracitadas, que garantias teremos da possibilidade de formar o perfil biográfico deste estudante universitário? Como basear tal trabalho em fontes escritas, e viabilizar que o mesmo seja preservado para um ainda mais distante vindouro? Que certezas e soluções existirão, para além da narrativa oral, de conservação dos elementos digitais que permitam a composição historiográfica de um indivíduo com hipotética e absoluta influência para a Humanidade?

Ao fim e ao cabo — e não nos custa repeti-lo —, a dominação do digital continua a colocar em cheque não só a preservação das imagens em movimento (sobretudo, a produzida, pessoal e artisticamente, ao longo da última década), como também a memória do engenho e criatividade humanos e, ultimamente, arrisca o próprio conceito de Democracia que desejamos e estimamos.

Notas:
1 Uma preocupação a que nem o próprio Vice-Presidente da Google, Vint Cerf, é insensível.
2 Sublinhe-se o mediático caso, em 2016, dos e-mails de Hillary Clinton, ou as notícias de instituições empresariais que, deliberadamente, eliminaram listas de distribuição inteiras com os endereços electrónicos de milhares de clientes.
3 Sobre esta temática, recomenda-se a consulta de A Digital Dark Ages? Challenges in the Preservation of Electronic Information, por Terry Kuny.

Imagens:
1 github.com.
2 RocketStock.
3 Data center do MoMA, e-flux conversations.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Filmes Restaurados: KING OF JAZZ



Trailer para a versão restaurada de KING OF JAZZ (1930, John Murray Anderson).



Restauro em resolução 4K, produzido pela Universal Pictures. Lançamento em Blu-Ray e DVD, anunciado para Março de 2018, editado pela The Criterion Collection.

[Imagem: The New York Times].

sábado, 23 de dezembro de 2017

"Riscos e Picotado": Um Elogio à Maturidade da Película



Numa das minhas mais recentes visitas à Cinemateca Portuguesa — em concreto, a sessão dedicada a RAILROADED!, noir de série B de Anthony Mann —, a folha de sala referia, explicitamente, que "A cópia que vamos exibir apresenta ruído de fundo em algumas passagens. Pelo facto pedimos desculpas"1. Esta chamada de atenção para um particular tecnicismo de projecção, para além da sua raridade nos tempos que correm, evocou-me uma determinada experiência do filme em sala que, nostalgicamente, nunca deixou de se conservar nos meus mais profundos afectos cinéfilos.

Ponto assente: eu cresci a ver filmes com riscos, sujidade e picotados em excesso, cue marks "manhosas" e pronunciadas, e bandas sonoras deterioradas. Mesmo que a memória infantil não seja a característica humana de melhor fiabilidade, nutro vivas recordações de ir ao cinema com os meus pais, e visualizar títulos como MASTERS DO UNIVERSO, ou QUEM TRAMOU ROGER RABBIT?, em cópias que conheceram abundante rodagem anterior. E, sobretudo, não tenho presente, nem por uma vez, ter testemunhado o cancelamento ou a interrupção de sessões por motivos de cópia sem condições de projecção.



Foi no seio dessa realidade que se fomentaram os meus gostos fílmicos e, quiçá inconscientemente, o meu apego pela componente analógica da Sétima Arte que, quase todas as semanas, partilho neste espaço. Assim, o facto de a cópia de RAILROADED! aparentar "defeito sonoro", que a folha de sala da Cinemateca prudentemente cuidou de alertar, nunca se revelou obstáculo à ideal fruição de um curioso film noir assinado por Anthony Mann.

Em suma, uma projecção sem interrupções nem sobressaltos. Tal e qual como nas minhas juvenis recordações de cinefilia.

O mesmo já não poderei afirmar sobre experiências recentes com o cinema exibido via DCP. Sessões interrompidas por formatos de projecção incorrectos, enquadramentos com nítido "efeito trapézio", inoportunos freeze frames antes e depois do obrigatório intervalo dos multiplexes, imagem com arrasto por óbvia ausência (ou desconhecimento de como o fazer) de calibragem de projector e/ou do ecrã... Uma série de incoerências que passa por normal perante o olhar mais leigo, mas que se cristaliza totalmente na imagem sem vida e de omnipresente brilho do digital.



Pesados os factos, e não obstante a esmagadora oferta disponível de projecção em digital, assumo aqui a minha preferência pelas velhinhas cópias em 35mm. Nas mãos de um projeccionista experiente e dedicado, nunca me restarão dúvidas de que até a exibição de um nitrato, acossado do "famigerado" síndroma do vinagre, proporcionará aprazível sessão.

Pois da perspectiva de um admirador da película, a descoloração deverá ser encarada como uma prova de maturidade das bobines; os riscos na emulsão são um atestado da confiança depositada naquele suporte por profissionais da mais variada índole; e os ruídos ritmados de uma banda sonora com décadas de uso não são mais do que o pulsar de vida oriundo da própria História do Cinema.

Notas:
1 De realçar que a folha de sala do passado dia 29 de Novembro, referente à projecção de outro filme de Anthony Mann, STRANGE IMPERSONATION, também destacava que o filme era exibido numa cópia em 16mm com "algumas deficiências a nível de som e imagem". O subsequente pedido de desculpas era quase escusado, pois mal se notaram as lacunas.

Imagens:
1 Exemplo de fotograma com riscos, poeira e picotado, Shutterstock.
2 Cue marks em fotograma de THE NASHVILLE SOUND, Streamline.
3 Andrea Wolf.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017